sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cuidado com o mito do Forex

Navegando pela internet encontramos anuncios e mais anuncios que nos seduzem com ganhos garantidos" "rentabilidade certa" e por ai vai ?

Será que isso existe mesmo? Cuidado! Não existe lanche grátis.

Abaixo colacionamos uma bela matéria feita pela AE Investimentos sobre o assunto visando alertar os investidores sobre o perigo desse mercado


A promessa de ganhos fáceis, além de extraordinários, é o principal chamariz para atrair investidores para um mercado pouco conhecido no Brasil, mas que envolve risco alto: o de contratos de moedas, internacionalmente chamado de Forex (Foreign Exchange). Apesar de ser legal em alguns países, o mercado de Forex não existe no Brasil já que nenhuma corretora local é autorizada a atuar nesse negócio. Assim, o investidor deve ser muito cauteloso porque aqui, muitas vezes, o mercado Forex está associado a golpes em que se perde o dinheiro aplicado.

Tecnicamente, os contratos Forex são Contratos por Diferença (CFDs, na sigla em inglês) no mercado futuro, em que o investidor aposta em pares de moedas, na tendência de alta de uma divisa em relação à outra. As moedas mais negociadas são dólar, euro, libra e iene. Uma das diferenças em relação ao mercado futuro tradicional é que esse tipo de contrato não tem uma data de vencimento definida.

"Não há nenhuma restrição se o investimento for feito no exterior. O problema é aplicar por meio de alguma empresa brasileira, já que nenhuma é autorizada a ofertar Forex", esclarece o superintendente de Proteção e Orientação ao Investidor da Comissão de Valores Mobiliário (CVM), José Alexandre Cavalcante Vasco. Assim, há possibilidade de investir em Forex no exterior por meio de uma corretora sediada em outro país. Mesmo sendo uma opção legal de investimento, também ocorrem fraudes no exterior. Na internet, o órgão de fiscalização do mercado norte-americano chega a alertar para a ocorrência de golpistas.

Cuidado com fraudes

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já descobriu diversas empresas e pessoas que se apresentavam como intermediários do negócio, quando, na verdade, eram golpistas. As falsas corretoras ofertam o negócio e, em muitos casos, não investem o dinheiro do cliente. "Existem até esquemas de pirâmide em que os recursos dos novos investidores garantem os saques dos mais antigos", explica Vasco. Quando o esquema é descoberto, a empresa some.

Desde 2005, quando houve um boom de ofertas de Forex no País, a CVM contabiliza 97 processos de investigação, que às vezes, envolvem mais de um investidor reclamando da mesma empresa irregular. O pico das reclamações e consultas ocorreu em 2007, mas os problemas continuaram no ano passado.

De fato, a CVM explica que há situações que não se configuram como golpe, já que o intermediário direciona os recursos do investidor para uma corretora estrangeira e investe nos contratos Forex. Mas, em todos os casos, caso o intermediário pertença a uma empresa nacional, o negócio é considerado irregular pela CVM, pois escapa dos negócios sob fiscalização pelo órgão.

"A pessoa deve procurar uma grande corretora ou banco internacional para investir, caso se interesse por esse mercado", sugere o analista financeiro da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de São Paulo (Apimec-SP) e professor da OPA Cursos, Lúcio Aguiar.

Para isso, recomenda-se que o interessado visite os sites do órgão regulador do país em que pretenda negociar um contrato de Forex e confira se a corretora tem cadastro legal. Os três principais mercados destes contratos são Estados Unidos, Inglaterra e Japão, cujos órgãos de fiscalização são, respectivamente, Securities and Exchange Commission (SEC), Financial Services Authority (FSA) e Financial Services Agency (FSA). No site da Organização Internacional de Comissões e Valores (Iosco, na sigla em inglês), há o endereço dos xerifes do mercado de cada um desses países.

Os casos de fraudes não são exclusivos do Brasil. Nos EUA, a SEC alerta, em seu site, que os investidores devem ser cautelosos na escolha da corretora, já que esse investimento, por ser feito pela internet, comumente envolve fraudes. "Os prejuízos podem ser muito grandes em um único dia. O mercado de Forex é regular, mas empresas podem estar envolvidas em esquemas ilegais", diz.

Em Portugal, país em que Lúcio Aguiar trabalhou, durante um ano, em uma corretora internacional, também são comuns os golpes. "O Forex é um mercado de balcão não regulado por bolsas", explica. Segundo ele, qualquer profissional autônomo pode oferecer contratos desde que tenham dinheiro para ter uma plataforma online de negociação para estruturar a operação.

Mercado de risco

O professor afirma que encontrar investidores que tiveram prejuízo é bem mais comum do que se deparar com aqueles que obtiveram lucros sucessivos. "O principal erro é começar, nesse mercado, sem informação", alerta. Além de estudar profundamente como funciona o negócio com Forex, o investidor precisa estar atento ao mercado cambial do país em que está operando. São muitas as variáveis que influenciam a cotação de moedas.

"O que ocorre é que a corretora sempre está na outra ponta do negócio. Se o investidor aposta na alta de uma moeda, a corretora faz uma operação contrária para garantir o negócio", diz Aguiar. Quando a instituição é uma grande corretora ou um banco, as operações são bem estruturadas e oferecem menos risco de calote no resgate. Se o intermediário for alguém com um poder de negociação baixo, o investidor corre o risco de não ter nada para resgatar.

Perder dinheiro nesse mercado é fácil devido à alta alavancagem desta aplicação – o investidor aplica mais do que possui. Um contrato de 50 mil euros, por exemplo, pode ter uma margem de negociação de 500 euros. Ou seja, para aplicar, o investidor precisa depositar 500 euros, mas corre o risco de 50 mil euros. "Qualquer variação no valor total faz o investidor ter um lucro muito alto ou um prejuízo que zere a carteira", diz Aguiar. Segundo ele, muitas corretoras cobram 1% de margem. Assim, a alavancagem é de 100 vezes. A título de comparação, na negociação de mini-contratos de dólar na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a alavancagem é de aproximadamente 5,5 vezes, já que a bolsa exige uma margem de 17% do valor do contrato.

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